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Título: Ação gerencial no setor público: o caso CESAN.
Autor(es): Garcia, Érica da Costa
Afiliação: Companhia Espírito Santense de Saneamento (CESAN)
Data do documento: 17-Mar-2010
Descritores: Espírito Santo
Recursos humanos
URI: http://www.repositorio.fjp.mg.gov.br/consad/handle/123456789/112
Resumo: O presente painel se propõe a ampliar a compreensão e a discussão acerca das práticas de gestão no setor público brasileiro, valendo-se, para isso, de estudo de caso realizado na Companhia Espírito Santense de Saneamento (CESAN). Adotou-se, para isso, procedimentos metodológicos de natureza qualitativa. Nesse sentido, os sujeitos entrevistados não foram definidos de maneira probabilística e com base em métodos estatísticos, mas com base em análises subjetivas, acerca da relevância dos sujeitos no sentido de somar com informações ao estudo em questão. Tendo em vista este pensamento, a população-alvo deste estudo constituiu-se de gestores com ampla vivência histórica na empresa e no exercício do cargo de gestão nesta Companhia, além de sujeitos capazes de enriquecer este estudo com dados e percepções acerca da CESAN, de seus processos de gestão e das práticas cotidianas de seus gestores. Estes últimos sujeitos foram denominados “Agentes Críticos”. No referido estudo foram estabelecidos quatro momentos históricos com características peculiares que marcaram o cenário institucional da CESAN de sua criação até os dias de hoje. Foram compostos também sete conjuntos de práticas de gestão que caracterizam a ação gerencial na CESAN, coexistentes no cenário organizacional. Os quatro momentos históricos foram descritos da seguinte forma: de 1968 a 1983 – caracterizado pelo contexto do regime militar e por uma gestão técnica e austera; de 1983 a 1995 – caracterizado pela modernização em meio à interferências político-partidárias; de 1995 a 2003 – caracterizado como uma época de crise, marcada pela influencia de grupos políticos na gestão e pelo desejo de privatização; e de 2003 a 2009, caracterizado pela recuperação financeira da empresa e por novos desafios em termos de gestão. Já os sete conjuntos de práticas de gestão que caracterizam a ação gerencial na CESAN foram denominados da seguinte maneira: Prática I – Imediatismo, centralização e “a lógica cartesiana” em busca de resultados; Prática II – Participação, alinhamento e empreendedorismo rumo à melhoria contínua; Prática III – Herança de subordinação nas relações hierárquicas; Prática IV – Gestão personalizada; Prática V – Seguir as marés; Prática VI – Polarização entre competência técnica e habilidade política; e Prática VII – Hibridismo entre formalidade e pessoalidade. Com isso, as ações gerenciais foram analisadas, considerando suas inter-relações com o contexto no qual estão inseridas. E, como resultados deste estudo, percebeu-se a existência de um modelo híbrido de gestão, em que as práticas de gestão são composições dos cenários e atores que marcaram a história da CESAN ao longo dos anos. Sobre isso, percebeu-se que esses atores, em seu cotidiano, vão construindo suas práticas e re/construindo cenários organizacionais, de uma maneira processual e contextualizada, reproduzindo práticas instituídas e somando a elas novas práticas. Tornou-se visível o fato de que as práticas sociais que tem lugar hoje na Companhia são construções sociais fundadas em heranças que vão desde a sua origem da empresa, reproduzindo-se ao longo do tempo e do espaço. O que lança luz sobre o caráter histórico das práticas gerenciais e deixa claro o fato de que uma multiplicidade de fatores históricos e sociais influencia a ação gerencial, fazendo com que coexistam em um mesmo cenário institucional práticas diversas que, mesmo à princípio divergentes, se complementam. O que permite tanto que ora se seja mais “austero” e que ora se aja mais com a “pessoalidade”, quanto permite que ora se aja com austeridade fazendo-se valer da pessoalidade. Verificou-se também que os gestores lançam mão dessas práticas de acordo com as circunstâncias em que se encontram, com a familiaridade e afinidade que possuem com essas práticas, e com o conjunto de pensamentos, sentimentos e razões que mobilizam sua ação no momento da ação. Nesse sentido, em função do momento presente da ação, gestores podem se valer tanto de práticas em que prevalece a agencia humana, como no caso da prática “gestão personalizada”; quanto de práticas nas quais o condicionamento do contexto prevalece, como na prática do “seguir as marés”. Esse ator pode tanto buscar voltar suas ações para bons resultados organizacionais, quanto contemporizar, objetivando com isso evitar o conflito. O caráter histórico e híbrido das práticas cotidianas dos gestores aqui investigados trazem à tona a complexidade do fenômeno da gestão. O que coloca em foco a necessidade de se considerar a rede multivariada de fatores institucionais, organizacionais e comportamentais que influenciam a forma como agem os gestores ao se tratar dos processos de gestão de uma Companhia; torna possível a desmitificar crenças falsas em relação a um modelo de gestor ideal, e permite formas de intervenção organizacional que considerem a gestão em sua complexidade. No que se refere à rede de fatores que influencia a ação gerencial, o destrincha mento das práticas dos gestores da CESAN deixa claro que não é o gestor ou o ambiente no qual ele está inserido que irá determinar sua ação, mas sim a relação que se estabelece entre sujeito e contexto no momento específico da ação, a qual é perpassada tanto pela história de vida e momento atual deste sujeito quanto desta organização. Essa forma de ver o fenômeno da gestão evita a personificação dos problemas no gestor, bem como sua visão descolada dos contextos e relações sociais em que ocorrem. Sobre a idéia de que a importação de um perfil de gestão e de ferramentas de gestão do setor privado irá resolver os problemas do setor publico, esta perde o sentido quando se analisa as práticas dos gestores da CESAN e se percebe que o gestor eficiente nesse contexto não é aquele que atende ao tipo ideal “orgânico”, mas aquele capaz de lidar com as peculiaridades da CESAN de forma a gerar resultados. É aquele que consegue: se utilizar da formalidade, sem engessar relações que "dão certo"; ser empreendedor e, ao mesmo tempo, saber evitar conflitos em função das circunstâncias; agir com planejamento em relação a seus subordinados e atender a apelos imediatistas de superiores hierárquicos; estabelecer relações de amizade em diferentes “ilhas” de convivência; e usar tanto da austeridade quanto da pessoalidade para envolver pares e subordinados. Com isso, reitera-se a impropriedade de se tratar a gestão de uma forma asséptica, ndependente das realidades cotidianas vividas pelos atores que lhes dão forma, e rompe-se com a busca por um modelo de gestão idealizado. Desmitificando-se a visão do “gerente orgânico” como solução para os problemas de gestão do setor público. O que repercute na valorização do savoir faire dos gestores da própria organização e aponta para a importância de se desenvolver formas de aprimorar a gestão tendo por base peculiaridades da realidade organizacional vivenciada na empresa. O que figura como via para processos de intervenção organizacionais eficientes. Isso porque, compreendendo-se que a gestão se dá com base em elementos cujas configurações não podem ser previstas a priori, evitam-se simplificações improdutivas e parte-se para intervenções organizacionais conscientes, que considerem as práticas sociais dos gestores em suas peculiaridades e complexidade inerente.
Citação: GARCIA, Érica da Costa. Ação Gerencial no setor público: o caso CESAN. In: CONGRESSO CONSAD DE GESTÃO PÚBLICA, 3, 2010, Brasília. Anais...
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